DENEGRIR

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Não faz muito tempo “matava” meu tempo regredindo alguns anos ao assistir o programa da Eliana (aquela dos dedinhos). Não sei a razão de não ter procurado um livro ou compensar algumas horas de sono, mas enfim, assisti a Eliana.

 

Em um dos quadros a proposta era a convivência de pessoas com perfis completamente antagônicos por um dado tempo. Para exemplificar participaram do quadro “mulher moranguinho” e um professor de Filosofia, Rita Cadilac e uma intelectual burguesa enxadrista, entre outros. Sobre essa última dupla, a apresentadora querendo entender os motivos que faziam com que a intelectual considerasse a ex-chacrete vulgar, disparou o seguinte: Ah, então você acha que ela denigre a imagem da mulher brasileira?

                                                                                          

Bem, minha vivência já prepara os meus ouvidos para estranhar certas expressões. Não foi diferente com o denegrir. Segundo definição do dicionário (Houaiss por exemplo) denegrir significa tornar(-se) negro, obscurecer(-se). Como sabemos, ou deveríamos saber, as palavras não são inocentes, elas têm e são história, tem uma razão para serem empregadas. A linguagem é uma instituição. A história do “denegrir” se encaixa bem em um contexto social em que ser negro era ser visto como inferior, sem alma, sem direito, sem possibilidade de desenvolver suas potencialidades. A história nos desautoriza a usar uma gama de palavras é assim com o judiar, com o xiita como sinônimo de fundamentalista, entre outros. Em alguns debates de grupos do movimento negro não se esclarece alguma questão, se escurece!

 

O que eu proponho para hoje então é denegrir o Brasil. Não só as mulheres, mas todos nós seremos mais verdadeiros com a nossa própria história se nos tornássemos bem mais negros. A alteração fenotípica não é a proposta, a revolução étnica sim. Quero meu direito de ser negro!

 

Entenda a responsabilidade da palavra, uma vez verbalizada nem todas as desculpas a apagam. Queria eu denegrir todas as mulheres para que não fosse impositiva a chapa, a escova e o alisamento progressivo, definitivo, eterno, para sempre e etc.

 

Que bom seria denegrir todas as crianças para que a boneca negra também fosse predileta. Queria denegrir nosso cotidiano, denegrir meu trabalho, minha família e todos os meus espaços de convivência. Vamos, enfim, denegrir o Brasil! Essa é uma tarefa nossa!

 

 

segunda 12 abril 2010 15:12


Solidariedade, está disposto?

Assista esse vídeo com atenção! Reflita nas pequenas coisas que você pode fazer para transformar o mundo!

quarta 24 março 2010 09:21


21 DE MARÇO: LUTAS HISTÓRICAS E PROBLEMAS ATUAIS

Blog de cidadaonocoletivo :Cidadão no Coletivo, 21 DE MARÇO: LUTAS HISTÓRICAS E PROBLEMAS ATUAIS

Há 50 anos, no dia 21 de março de 1960, na localidade sul-africana de Sharpeville, cerca de 70 pessoas que manifestavam pacificamente contra leis do regime do apartheid foram brutalmente assassinadas. Por conta do episódio, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data como Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial. É indiscutível a importância desses marcos históricos para a luta pela promoção da igualdade racial, e mesmo para outras demandas sociais. Também é verdade que nesses 50 anos algumas mudanças significativas aconteceram, o regime opressor do apartheid já não existe enquanto instrumento legal, as desigualdades raciais diminuem, ainda que lentamente, em nosso país o aumento na valorização do pertencimento etnicorracial já faz com que assumamos ser uma nação majoritariamente negra.

Mundialmente essas conquistas são resultados das lutas históricas dos movimentos sociais que tanto fazem um papel de controle social como contribuem para a proposição de políticas públicas. Não poderíamos deixar de destacar a sensibilidade de alguns governos e partidos populares para o avanço de causas como a promoção da igualdade racial.

Há pelo menos uma década o governo brasileiro vem desenvolvendo ações, ora mais tímidas, oram mais ousadas, que visam a promoção da igualdade racial. Exemplo dessas ações é a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e consequentemente os órgãos gestores estaduais e municipais. Retornando direitos aos segmentos do Movimento Negro, e à população negra como um todo, hoje podemos perceber resultados de políticas focadas na resolução de problemas históricos na área da educação, saúde, segurança pública, acesso à justiça, tolerância e liberdade religiosa e acesso a terra e moradia. Na área da educação superior, por exemplo, segundo relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA intitulado “A construção de uma política de promoção da igualdade racial: uma análise dos últimos 20 anos” já são 48 as instituições de ensino superior que adotam alguma política de ação-afirmativa para ingresso e permanência da juventude negra em seus cursos de graduação.

Cabe ressaltar que políticas de ações-afirmativas no formato de “cotas” não são recentes em nosso país. Uma série de ações direcionadas para outros segmentos sociais já existem há décadas e apresentam resultados positivos. Em outros países marcados por uma formação etnicorracial desigual as ações-afirmativas já trouxeram resultados consistentes. É fato também que essas ações não permeiam apenas o território da educação. No caso do mercado de trabalho podemos destacar a lei municipal de Vitória, proposta pelo então vereador Eliézer de Albuquerque Tavares, que reservava 30% das vagas dos concursos públicos para candidatos que se autodeclarassem afrodescendentes. A justificativa dessa proposta é a formação etnicorracial desigual dos quadros de funcionários desta prefeitura. Na contramão dessas ações, foi impetrada uma ação de inconstitucionalidade o que levou o caso até o Tribunal de Justiça onde aguarda julgamento.

Uma outra reação de segmentos sociais que vêem nas ações-afirmativas uma possibilidade de perda de alguns dos benefícios garantidos pelo Estado de forma injusta durante toda a história da formação da sociedade brasileira, é a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental impetrada pelo partido Democratas no Supremo Tribunal Federal contra as ações-afirmativas na Universidade de Brasília – UNB. O DEM nega todos os antecedentes históricos do atual quadro de desigualdade racial que coloca a população negra em posições desfavoráveis em grande parte das pesquisas relacionadas ao acesso a saúde, educação de qualidade, alimentação, moradia digna, entre outras necessidades para o desenvolvimento das potencialidades humanas. Sob alegação de defesa do princípio constitucional da igualdade, essa ação busca descaracterizar a real desigualdade que todos percebemos em nosso cotidiano.

Como falado anteriormente, já são muitas as Instituições de Ensino Superior, públicas ou privadas, que adotam ações-afirmativas em seu processo de ingresso. Entretanto, em nenhuma dessas IES, o processo aconteceu sem um embate das visões de mundo e projetos de sociedade.

Já são 50 anos desde aquele 21 de março de 1960, já assinamos convenções, compromissos internacionais, tratados os mais variados. Já vimos a negação, a manipulação de dados e informações. Já ouvimos as explicações racializadas e geneticistas que buscam amenizar, ou esconder, o racismo que nos bate à porta todos os dias. Já percebemos as caricaturas mal desenhadas da população negra nas telenovelas, já nos cansamos também do sofrimento histórico da escravidão passado às nossas crianças como coisa leve, gostosa de ser vista e ouvida. E qual é o motivo de ainda não avançarmos mais? Qual a explicação para teorias tão absurdas sobre nossos antepassados e nossa própria história? As mesmas mãos que lucraram com a escravidão brasileira massacraram mulheres e crianças em Sharpeville e hoje seguram canetas e assinam ações de inconstitucionalidade ou descumprimento de preceito fundamental em nossos tribunais. Promova a igualdade racial hoje!

 

sexta 19 março 2010 12:10


ALEGRIA, ALEGRIA

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Já me alegrei num zoológico,

Já me alegrei vendo meu pai conversar com os animais,

Já me alegrei em um avião,

Já me alegrei com um ônibus vazio no fim de tarde,

Já me alegrei com a carta escrita de um amor que era só meu,

Já me alegrei no primeiro beijo de um grande amor,

Já me alegrei com uma declaração pública de amor,

Já me alegrei com um sorriso cúmplice,

Já me alegrei em um bom restaurante,

Já me alegrei com o cheiro do bolinho-de-chuva,

Já me alegrei com um sábado de sol,

Já me alegrei com um natal,

Já me alegrei em uma celebração de amigos,

Já me alegrei conversando com o meu Melhor Amigo,

Prá hoje só quero me alegrar com qualquer coisa, até virar tristeza e depois sorriso, e logo alegria...

 


sexta 17 julho 2009 11:19


EU SOU PIPA

Blog de cidadaonocoletivo :Cidadão no Coletivo, EU SOU PIPA

Eu em suas mãos sou pipa,

Minha linha é seu domínio,

Com a lata me leva da direita para a esquerda,

Depois me devolve à direita,

Brinca comigo no ar, entre os pássaros me faz voar,

Se o vento não ajuda, você insiste,

Corre e me dá mais linha,

Põe-me nas mãos de outro e se distancia,

Puxa-me forte, sente que é o momento quando a brisa toca seu rosto,

Quando já estou lá em cima sente medo,

Teme que outra se aproxime, que brinque comigo,

Assusta-se com a possibilidade de me enamorar,

De ver minha rabiola, envolta em outra rabiola,

De me ter voando solta, ou quem sabe aparada por alguém,

E de, finalmente, me perder de seu controle...

segunda 29 junho 2009 17:29


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